quinta-feira, 8 de março de 2012

Mês de março, mês da mulher

Eis que chegou o dia internacional da mulher! Dia de receber rosas aleatoriamente e dia de ser a chata militante do facebook. De receber alguns bons elogios, e por outro lado passar um pouco de vergonha alheia (ou muita vergonha alheia) com homenagens toscas e exaltação ingênua ou não ao machismo. Mais um 8 de março como todos os outros anos.
Estou com pouco tempo para escrever, mas tem muitos textos bons para serem lidos por aí. Alguns:

Outros Marços virão, da Maíra Kubik, em Blogueiras Feministas

Compilação de eventos no 8 de março, nas Blogueiras Feministas

Feminismo em versão 2.0, na Gazeta do Povo

O dia (a dia) da mulher, da Aline Valek, em Contos e Notas

8 de março, dia de você repensar o seu machismo, no b33p

8 de março, mais um dia de luta, da Mari Moscou, em Mulher Alternativa

Tem muito mais por aí, que eu não pude incluir.

Alteração em 12/03: Blogueiras Feministas publica um post lindo: Dia da Mulher 2012, fazendo tipo o que eu fiz aqui, só que melhor. ;)

Ao longo do mês de março, para marcar essa data de outra forma, vou escrever alguns posts "temáticos" sobre minha vida de mulher e questões femininas que podem ser úteis e interessantes pra muita gente.

12 de março - minha experiência com coletores menstruais;

18 de março - minha experiência com contracepção;

25 de março - minha experiência com divisão de tarefas domésticas.

Até os próximos ;)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A mudança e a loucura

Essa semana é de grandes mudanças, a começar por uma essencial: mudar de casa!
Estou indo morar com o marido em definitivo.  Está uma loucura de catar documentos, visitar apartamentos, olhar sites de imobiliárias, lidar com atendentes às vezes prestativos e às vezes grosseir@s. Para melhorar, consegui uma bela contratura muscular no pé e na panturrilha que me faz ter que ir bem devagarinho para todos os cartórios, imobiliárias, apartamentos - e quando acaba a paciência, pegar táxi ou ônibus.

Isso tudo, no meio da primeira semana de volta às aulas, quando os horários das escolas estão sendo adaptados. Também no retorno dos ensaios de orquestra e dos projetos. E a busca por um novo professor, já que não tenho mais aula gratuita e de qualidade na federal.

Onde quero chegar é que vai haver um hiato aqui. Quando eu conseguir tirar as árvores caídas do meio da rua, consertar os fios de luz, e colocar telhas novas, eu volto.

Abraços e feliz "ano novo" a tod@s!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A vovozinha e o feminismo

Para quem ainda não viu, faça o favor a si mesmo e assista o curta brilhante da Renata Druck: A Vovozinha e o feminismo.
Nele, "vovozinhas" feministas contam como era o universo da mulher de anos atrás, e falam da luta para conquistar espaços e atitudes que, para as gerações mais novas, já parecem naturais. Incrível para pensar nas datas - pensar que coisas que "sempre foram assim" na verdade eram diferentes há trinta, quarenta anos atrás. Que ideias "de antigamente" eram a norma até agora há pouco.


A Vovozinha e o Feminismo from Renata Druck on Vimeo.


E viva o Partido da Vovozinha Feminista!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

É carnaval...

...disso você está careca de saber. Já abre o facebook sabendo o que vai ler: posts de gente super animada para o carnaval e as bebedeiras e a pegação e etc intercalados com posts de gente indignada com a música ruim e as bebedeiras e a pseudo-animação e etc.

Eu do meu lado pretendo ficar à parte desse debate e passar o feriadão o mais longe que puder de qualquer tipo de folia. Meu carnaval será offline, estudando violino e fazendo algumas experiências culinárias (espremências, meu pai diria), afinal não contamos mais com o amigo RU para nos mantermos em pé, enquanto o marido, pós-graduando em fase de "te-vira", estará escrevendo como um condenado aqui do lado.

Volto semana que vem. Espero poder falar de notícias melhores do que as que tivemos essa semana.

Bom carnaval para ti, leitor@!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Blogagem coletiva: o caso de Queimadas

Escrevo esse post atendendo à chamada para Blogagem Coletiva das Blogueiras Feministas e da Luluzinha Camp, em repúdio ao mais recente caso de violação da dignidade das mulheres (sim, porque eu também me sinto estuprada), na cidade de Queimadas, na Paraíba, pouco comentado na grande mídia, pouco comentado nas redes sociais, difícil de se falar sobre, difícil até de acreditar pelo tamanho da barbárie.





O caso me fez pensar no esteriótipo de agressor de que crescemos tendo medo, e que é, na verdade, muito pouco comum: o agressor psicopata, perturbado mentalmente, que ataca qualquer uma que ande sozinha em alguma rua escura.
O agressor, na verdade, está quase sempre por perto. É um vizinho, conhecido, parente, e não se pensa nele como um perigo a priori.

(...) Em estudo mais recente, Pimentel et al. (1998), analisando dados de estupros coletados em 50 processos referentes às cinco regiões brasileiras, concluíram que 70% dos envolvidos se conheciam e, destes, 18% mantinham relacionamentos incestuosos. (Fonte)

Confiando na amizade ou no amor dos laços de sangue, as vítimas não tomam "precauções" contra esses estupradores. O caso de Queimadas foi um exemplo extremo, brutal, dessa lógica. Mas estupros e abusos partindo de conhecidos infelizmente acontecem a todo momento, em qualquer lugar. Os que não viram notícia, talvez, fiquem anônimos porque não terminam em assassinatos. E a cultura de relativização do sofrimento, de tratar de estupro como se fosse sexo normal e de culpabilizar da vítima, além de aumentarem a dor de quem sofreu a violência, aumentam a possibilidade do violentador não ser denunciado e de a violência se repetir ou até se estender, às vezes, por anos. 

Casos como esse só vão parar de aparecer no dia que começarmos a educar os meninos, sistematicamente, para não estuprarem, ao invés de tentarmos ensinar as meninas a "se defenderem" e "tomar precauções" contra a violência. Quando colocarmos a culpa na pessoa certa - no criminoso, não na vítima, e entendermos que tem que ser vigiado e limitado é o desejo de poder e descontrole dos estupradores, e não o horário e as ruas que se circula, ou o comprimento da saia, ou a quantidade de parceiros, ou as "companhias", ou...
Enquanto esse dia não chega, só espero que esses criminosos tenham uma pena proporcional à sua crueldade.